Me perguntaram se eu realmente gosto de escrever, porque minha, colocarei assim, produção textual tende à verborragia. A resposta que dei automaticamente na minha cabeça foi well duh, claro que gosto de escrever, como posso deixar mais óbvio? Mas, se tem uma coisa que aprendi nos últimos meses, é que amor não vem de graça, colega. Eu comecei a amar um pouco a faculdade, sim, com todos os problemas: os problemas dos deslocados, os problemas do meu desinteresse, da minha desatenção, os problemas de não ser exatamente o curso que eu queria — queria um curso de literatura e idiomas sem tanta pedagogia —, enfim, eles todos; não sustentei nem nutri esse amor e, salvo uma ou outra interação e o acesso a uma biblioteca com 150 mil livros, não estou particularmente satisfeita lá; mas, já adianto, não estou com aquele ódio que me faz pegar nojo das coisas, estou levando, estou aguentando tranquila, nada me custa. O amor por gente querida também foi se indo: implicâncias viraram desprezos e alguns desprezos se tornaram indiferença absoluta. Não sei se acho isso tão ruim quanto soa. Soa horrível, mas também me veio amor: se terminei 2010 com outros olhos, em 2011 acho que cheguei a ganhar ainda mais modos de ver as coisas. Estou com aquela visão prismática que sempre me entediou nas outras pessoas — aquela capacidade de ouvir “Mas isso é terrível!” e deixar que meu cérebro viaje interminavelmente questionando se é mesmo tão terrível assim.
Posso resumir com algumas cenas aleatórias: às vezes, no meu trabalho anterior, eu ficava na frente do espelho examinando meu próprio rosto com avidez tamanha que eu poderia ter desenhado minhas feições no vidro. Minhas narinas dilatavam e retraíam lentamente. Eu precisava manter a calma. Algumas coisas erradas estavam acontecendo. Ficava então olhando pro meu rosto. Como os meus traços me pareciam diferentes todos os dias. Sempre me vi como uma pessoa muito fixa; sempre pensei que eu não estava mudando, e sim amadurecendo coisas que já estavam lá no início. Meu rosto, por outro lado, nunca me parece igual. Especialmente em fotos. E aqueles olhos fundos, as olheiras roxas que jamais vão sair dali, as bochechas salientes, os ossos, tudo me parecia tão diferente e, com o tempo, parecia me acalmar. Foi nesse emprego que minhas ideias sobre me amar e me compreender se consolidaram; não saí de lá com a maior auto-estima do mundo, mas saí de lá minha melhor amiga. Saí de lá paciente comigo mesma, saí de lá segurando minha própria mão, me dando todo o tempo que eu precisava. A harmonia que adquiri com meu próprio rosto e corpo depois do trabalho e do que me aconteceu em seguida foi tamanha que passei a me ver como vejo minha mãe ou irmão: são feições que me acompanham há tanto tempo que como é que eu poderia achá-las feias?
Eu não gosto de separar a minha vida por anos, mas 2011 me ensinou sobre beleza — a minha beleza.
domingo, 4 de dezembro de 2011
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2 comentários:
♥♥♥
Bonito, como tu :)
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