The ocean floor is hidden
From your viewing lens
A depth perception
Languished in the night
All my life, I've been
Sewing the wounds
But the seeds sprout
A lachrymal cloud...
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Cygnus, Vismund Cygnus
às
00:33
Minha vontade de ir trabalhar amanhã é zero. Tenho alguma pouca vontade de ir à faculdade; não é bem vontade, eu acho, penso que seja mais como uma falta de objeção. Não vai me incomodar ir à aula, embora seja Língua Portuguesa I e por isso mesmo profundamente entediante. Mas ir trabalhar. Até a ideia de ver os colegas de aula me irrita, não no sentido de me deixar com raiva e sim no sentido de irritar a pele mesmo, me deixa como se fosse toda vermelha e inflamada. Ver aquelas pessoas, ouvi-las. Eu não ando gostando de ninguém. Tenho minhas épocas de estar mais arisca, acho que essa é uma delas. Fico no último lugar da sala, lendo ou com fones de ouvido. Só consigo me concentrar na voz da professora se estiver fazendo outra coisa. Às vezes me permito dispersar. Sinto como se fosse enlouquecer caso não dispersasse. Uma colega comentou que percebe que eu não presto atenção. Pensei em mandá-la à merda, mas suprimi o pensamento como tenho suprimido deles todos. Ouço todas as palavras que são ditas, mesmo que esteja dormindo. Não consigo me afastar do mundo à minha volta, por mais que tente me isolar. É como se eu estivesse sempre em estado de alerta, à espreita; sim, é isso mesmo, presto mais atenção nas coisas quando estou assim, bicho do mato, por trás das moitas e abaixada entre lutar e fugir. Consigo ser simpática como antes, consigo tentar tratar as pessoas bem, mas é com esforço, como se eu tivesse vindo de um lugar muito distante onde se fala outra língua e precisasse forçar muito mais a cognição para me relacionar, para me entender. Sempre me senti por fora das coisas, um deslocamento para todos os sentidos e direções. Nessa época eu acho que meio que agradeço. Estou afastada das pessoas mais queridas, e nem estou mesmo sentindo falta, como se elas não fossem queridas: sei que são porque mesmo como bicho do mato mantenho a racionalidade, e sei que tenho sentimentos por elas porque os mantenho racionais, mas não consigo sentir por elas nessas épocas, e nessas épocas também me pergunto se algum dia senti de fato, se não é uma aproximação meramente objetiva, meio robótica. Sei que vai passar porque tudo há de uma hora passar. O que questiono agora, e tenho questionado há alguns dias já, se estou cega nesses momentos ou mais lúcida do que de costume; se estou agora completamente cega pela raiva ou tédio ou se por causa deles estou vendo tão claramente quanto é possível, e por causa disso percebo que meu único meio de sobreviver é sendo arisca e isolada, e que estou mesmo irremediavelmente — não irremediavelmente, porque isso pressupõe que seja algo ruim, mas sem outro modo de sê-lo, então — sozinha.
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9 comentários:
É isso aí, maluco.
Todo mundo de saco cheio de todo mundo.
Boa sorte nessas paradas de alta periculosidde aí. Permaneça eterna nessaem brasila.
Não é assim que uma Rainha deveria se sentir...
(OBS: não é cagação de regra. Ninguém TEM que nada. Só fico triste).
Vejo você e vejo sua amiga sofrendo mudanças e me parece cada vez mais difícil entrar pra esse mundo adulto sem perder boa parte de todas as boas coisas que se é.
Ainda bem que ainda te restam muitas, Rainha.
Espero que seja mais leve, com o tempo.
(OBS 2: Não que eu ache que causará algum efeito sobre ti, mas caso eu tenha falado só babaquice - porque Oi, sou stalker e não sei o que REALMENTE se passa na sua vida e na sua mente como seu namorado sabe - continue no And not a single fuck was given).
Sabe Rainha Júlia, eu não curto citarCaio Fernando Abreu pq uma grande parcela virtual adolescente adora fazê-lo. Mas, quando te leio, não consigo párar de pensar na frase sobre uma alma reconhecer a outra em um deserto de almas. E é tão curioso que você, ao escrever sobre si mesma, consiga me ler também. Acho que as rainhas fazem isso mesmo: Entendem seu povo, sem conhecê-los, ou entendem as almas outras rainhas sem que elas tenham muita relevância.
Com amor, sempre,
N.;)
Em momentos que eu julgo serem um tanto semelhantes ao que tu está agora, eu nunca me sinto sozinha apesar de estar. Talvez nem perceba a falta das pessoas queridas também. São momentos proveitosos, sinceramente, acho vantajoso me sentir mais imparcial, algo assim. Logo, não vejo no que seu estado poderia ser preocupante.
Apesar de não ter conhecimento suficiente da sua vida, acho que o que quer que (mas quantos que) escolha, será uma boa escolha. O único ponto solto nisso é o de achar que não se trata de escolhas.
Não se importe caso alguém se ofenda com seu afastamento, não foi por elas, não é mesmo? Que tomem no cu caso contrário, já sabem o caminho.
Estou tonta hoje...
Eu não sei se lembras de mim (apesar de ter dado oi desajeitado no msn outra vez), mas bom, vale lembrar que desejo sua felicidade... só vale lembrar, é isso.
Bom fim de sábado.
Não digo que sei exatamente como se sente, porque isso é uma das frases mais vazias de significado que já ouvi na minha vida, mas me identifiquei muito. Sinto isso constantemente, e às vezes de um jeito que toda vez que eu abro a boca dá vontade de mandar alguém se foder.
Espero que esteja bem, apesar de tudo. ^^
Obrigada, Júlia <3 mais uma vez entro aqui e vejo que não estou sozinha. Nunca deixa de escrever, por favor.
Amor... sempre. :)
Também tenho um comportamento arisco e já fui muito, mas MUITO acusada com todo tipo de adjetivos no trabalho, na faculdade e na família... o que costumo fazer nessas situações é responder com um sorriso discreto que o "afastamento", ou a "falta de consideração", se deve às multiplas funções e tarefas que me afastam de uma vida "social".
Mas sei que, no fundo, no fundo, minhas verdadeiras justificativas não convenceriam a maioria das pessoas. O que dizer a um sujeito cuja visão de mundo é quase que o extremo oposto da minha? É uma abordagem delicada, complexa, tão cheia de armadilhas que quase sempre faço a opção mais prática: um sorrisinho de canto, uma desculpinha esfarrapada e uma mudança de assunto.
Bacana ler seus relatos, Julia. Tô conhecendo esse espaço mimoso hoje, mas já deixo meus votos de longa vida ao blog.
AC.
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