Eu estou viva, bem e escrevendo. Mas a maioria das coisas que escrevo não me parecem postáveis, repassáveis ou mesmo discutíveis. É por isso que aqui está vazio. Eu realmente não tenho nada para dizer. Encontrei pessoas interessantes, tive pensamentos interessantes, ouvi e senti coias certamente bonitas. Mas o blog não está combinando com isso, não está encaixando nisso. Não está destoando também. Só não faz parte. Ainda. Por enquanto. Ou não.
Esse blog existe há um ano e, antes dele, havia um livejournal. E um ano não é tempo demais, mesmo pra mim, mesmo pra minha idade. Um ano é um tempo ótimo para ficar escrevendo sobre os outros e melhorando.
Doze meses atrás eu não conseguia escrever originais. Seis meses atrás eu não conseguia dizer “ei, quer ler?” para quem já havia demonstrado acima de qualquer dúvida que queria ler. Quatro meses atrás eu achava que precisava muito das coisas que queria. E recentemente reparei que a maioria delas aconteceu! Eu não perdi dez quilos mas perdi cinco - e sem querer -, realmente me tornei vegana, comprei os sapatinhos e vestidos que queria, não fiquei rica mas também não estou sem o que comer, passei a escrever, passei a escrever muito, passei a confiar em mim mesma, e a poder dizer, em voz alta, caso seja esse o assunto, sim, porra, sou foda. Tudo isso sem nem notar acontecer (bem, eu notei que comprei os sapatinhos e vestidinhos. Melissa Glam fúcsia 34/35, anyone?). As coisas deram certo sem eu surtar. Elas sempre dão.
Não que o blog seja responsável. Mas me expor - e gente, isso me expõe demais, eu nunca me expus tanto antes, basta ser levemente observador para perceber o quanto cada ponto final diz sobre mim - dessa forma ajudou porque eu não pude mais fugir dessas verdades. Das pessoas que inevitavelmente fazem e farão parte da minha vida. Do fato que eu não sei, e nem pretendo saber, olhar pra alguém sem imaginar um imenso background, cheio de pichações e grafitagens, enorme e profundo como o meu. Eu sou o tipo de pessoa que ficou muito feliz de o vendedor da Patiller hoje ter me mostrado o tênis mais bonitinho que já vi, porque eu não ia me sentir legal de sair sem comprar nada depois de o cara ter sido tão legal. É trouxa. Não nego. Mas sou eu (e é o Thiago, por sinal; a idéia de comprar foi dele e eu sei bem que o vendedor pesou nisso. E o tênis ser muito bonitinho). Essa exposição descontrolada e desmedida não me deixa negar essa babaquice happy-go-lucky que existe em mim - e que, não duvido, é uma boa parte do que sou.
Talvez seja a idéia de que eu já me expus o suficiente que me deixou tão sem o que falar aqui. É provável. Mas, para o deleite de quem se diverte com a grifice alheia, e para o deleite de quem se identifica com ela, a serventia desse espaço branco numa caixa bege num fundo branco onde digito coisas e depois clico num botão laranja não tem fim. (Eu acho.)
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2 horas atrás


